Edison, Allana e Cristiana Brittes, além de outras quatro pessoas, são réus no processo; testemunhas sigilosas, amigo e familiares do jogador foram ouvidos nesta terça-feira (19). Mãe do ex-jogador Daniel fica, pela primeira vez, frente a frente com a família Brittes
Nesta terça-feira (19), no segundo dia de audiências na Justiça no processo que investiga a morte do jogador Daniel Correa, a mãe, Eliane Aparecida Correa, e outras pessoas prestaram depoimento, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Foi a primeira vez que Eliane se encontrou com os réus, entre eles, Edison Brittes, que confessou ter matado Daniel. Pela manhã, três testemunhas sigilosas prestaram depoimento. Durante a tarde, familiares, a ex-namorada e um amigo do jogador foram ouvidos. Ao todo, sete pessoas foram ouvidas nesta terça-feira, entre testemunhas de acusação e informantes.
Veja como foi o primeiro dia de audiências na Justiça
A RPC acompanhou e reuniu detalhes do que disseram Eliane, um amigo e uma tia do jogador. Confira, abaixo, como foi.
O que disse a mãe do jogador
Eliane Correa foi ouvida por cerca de 50 minutos. Emocionada, no início do depoimento, lembrou que a família Brittes ligou para ela após o crime e ofereceu ajuda, afirmando que o jogador era muito querido por eles.
Frente a frente com a mãe de Daniel, a família Brittes observou o depoimento na mesma sala. Com exceção de Alana e Cristiana, os outros réus permaneceram algemados durante as audiências.
A mãe de Daniel afirmou que o jogador era um pai carinhoso e atencioso com a filha, e lamentou a morte do filho que, segundo ela, ainda tinha muito para viver e jogar.
Ela afirmou que o jogador não costumava se envolver em brigas, que recebia apenas elogios de amigos e companheiros de time.
Ao ser perguntada pelo advogado de defesa da família Brittes sobre a escolaridade e o histórico de Daniel, a mãe ressaltou que o jogador fazia parte da equipe de base do Cruzeiro enquanto concluía o ensino médio.
Disse que o filho nunca teve Boletins de Ocorrência em seu desfavor.
Mãe e ex-namorada de Daniel compareceram à São José dos Pinhais para participar das audiências do processo sobre a morte do jogador
Giuliano Gomes/PRPress
Mensagens e fotos
Em relação às mensagens enviadas por Daniel e ao grupo de whatsapp do qual ele fazia parte, a mãe disse que soube que, neste grupo, o jogador e os amigos falavam falavam sobre as meninas com que ficavam. Algo normal dos jovens, segundo ela.
Eliane afirmou também que as fotos tiradas por Daniel ao lado de Cristiane, antes do crime, se trataram de uma brincadeira, e não de um caso de importunação. Ela disse não ter ouvido os áudios enviados pelo filho ao amigo.
Morte de Daniel
Ainda em depoimento, Eliane contou que soube da morte do filho e que, a princípio, pensou que havia se tratado de um roubo seguido de morte.
Em entrevista após sair da sala de audiência, Eliane afirmou que foi “bombardeada pelo Cláudio, advogado dos assassinos” e disse: “ele tentou de toda forma fazer com que eu falasse alguma coisa para denegrir a imagem do meu filho, mas eu não tenho nada para falar que possa manchar a imagem dele”.
Ela lembrou que, ao chegar na sala, foi perguntada pela juíza se se importaria de ter a presença dos réus durante o depoimento e disse que respondeu que “era indiferente” a presença ou não deles. “Fiz questão de olhar para o rosto de cada um, para ver, o que leva uma pessoa a torturar, matar e esquartejar uma pessoa (…) Eu tenho Deus no coração e tenho certeza que Deus vai me dar paz e que meu filho está olhando por mim”, disse. ‘Selinho’ de Cristiana
Também foi ouvido pela Justiça, neste segundo dia de audiências, o amigo de Daniel Lucas Muner, que estava com o jogador e com a família Brittes no início da festa.
Muner prestou depoimento usando uma camiseta com a foto de Daniel estampada. Ele disse que não ficou para a festa na casa da família Brittes, mas que perguntou à Allana, no dia seguinte, sobre o paradeiro do jogador.
Segundo ele, Allana respondeu que o jogador estava bem “até ir embora” da casa da família.
No depoimento, Muner afirmou que, ainda durante a primeira festa, recebeu um “selinho” de Cristiana. Lucas disse que amigos dele também afirmaram ter sido beijados por Cristiana. Ele argumentou que não contou antes, em depoimento, sobre isso porque soube depois.
Tia de Daniel também foi ouvida
Regina Correa, tia do jogador, prestou depoimento por cerca de 1h30. Ela foi ouvida logo em seguida da mãe, Eliane, e também falou na presença dos réus.
Durante a audiência, Regina disse que, na noite anterior ao crime, Daniel ligou para a família e disse que iria para Curitiba, para a festa da amiga. Segundo ela, após a morte do jogador, os familiares ficaram preocupados por perceberem que o celular do jogador não recebia as mensagens.
Sem notícias de Daniel, de acordo com a tia, ligaram para o amigo dele, Lucas, que também disse estar preocupado com o jogador.
Regina chorou ao comentar como soube da morte do sobrinho e comentou que a família ficou “em choque”. Segundo a tia, quando soube que Daniel foi assassinado, “sentiu” a mesma facada que ele levou.
Ela comentou, na audiência, que Allana e a família Brittes se mostraram muito solícitos à família de Daniel após o crime.
A tia classificou como “crueldade” o fato de que Daniel teve o órgão genital decepado.
Segundo a tia, Daniel não enviou as fotos ao lado de Cristiana Brittes para o grupo de mensagens, mas para um primo, que encaminhou as fotos ao grupo depois que o jogador foi morto.
Ao ser perguntada, pela defesa da família Brittes, sobre a motivação do crime, afirmou: “não consigo imaginar o que pode motivar alguém a matar alguém”. ‘Mesma dor’ da notícia da morte
Após a audiência, Regina falou em entrevista que, ao entrar na sala para o depoimento, sentiu “a mesma dor do que no momento em que ligamos no IML e tivemos a certeza de que era o Daniel que estava lá”.
A tia afirmou ainda que a família do jogador está “revivendo a pior situação da nossa vida”.
A ex-namorada e mãe da filha do jogador também prestou depoimento nesta terça-feira e disse que Daniel era um bom pai para a menina.
Processo
Sete pessoas são rés no processo: Edison Luiz Brittes Júnior, que confessou ter matado o jogador, Cristiana Rodrigues Brittes, esposa de Edison, Allana Emilly Brittes, filha do casal, além de Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Willian Vollero Silva e Evellyn Brisola Perusso.
Dos sete réus, seis estão presos. Evellyn Perusso é a única que está em liberdade.
Ao total, foram arroladas mais de 70 testemunhas. Nesta fase, são ouvidas as testemunhas de defesa, de acusação e, por último os réus. Após as audiências, a juíza Luciani Martins de Paula decide se os réus vão ou não à júri popular.
Veja, abaixo, pelo que cada um virou réu:
Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e coação no curso do processo;
Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;
Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor;
Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;
Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;
David William da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa;
Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa e falso testemunho.
O que dizem as defesas
No decorrer das audiências, houve conflito de declarações entre os advogados Cláudio Dalledone, que defende a família Brittes, e Nilton Ribeiro, que representa a família do jogador Daniel.
Nilton afirmou, nesta tarde, que uma testemunha sigilosa afirmou em depoimento que ouviu Cristiana dizer à Edison “se for matar, não mate aqui”, e afirmou “tenho certeza de que haverá condenação do que fizeram com o Daniel e que a família vai ficar com sentimento de justiça”.
Logo em seguida à declaração de Nilton, Dalledone pediu a palavra e classificou como “mentira”. O advogado disse que as testemunhas “deixam claro que a Cristiana, em primeiro lugar, não era alheia a um resultado mais grave. Deixaram claro que nenhuma mulher que pudesse se meter, poderia parar”.
A defesa de David da Silva e Ygor King afirmou que eles confiam na Justiça e que vão continuar ajudando na elucidação dos fatos.
O advogado de Eduardo da Silva, Edson Stadler, disse que o seu cliente participou “com o ânimo de provocar uma lesão corporal. O objetivo nunca foi, na versão apresentada e pelos elementos provantes, de que ele pretendia a morte da vítima. Ele queria sim, participar da castração”.
A defesa de Evellyn Perusso afirmou que, ao longo dos depoimento colhidos até agora, não ficou demonstrado que Evellyn cometeu os crimes, e afirmou que houve testemunhas que caíram em contradição. A defesa disse que aguarda o depoimento dos réus para que os fatos sejam confrontados.
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Fonte: G1

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