‘Sempre tive vontade de fazer pelos outros aquilo que tinham feito por mim’, diz a enfermeira Mayara Majevski, de 24 anos. A enfermeira Mayara Nascimento Majevski, de 24 anos, em um corredor do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba Giuliano Gomes/ PR Press
Nos corredores do segundo andar do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, as lembranças são inevitáveis para a enfermeira Mayara Majevski, de 24 anos, que trabalha há dois meses na unidade. Diagnosticada com leucemia aos 12 anos, ela fez o tratamento no hospital onde agora dedica aos pacientes os mesmos cuidados que recebeu. A vocação surgiu enquanto enfrentava a batalha pela vida. “Sempre tive vontade de fazer pelos outros aquilo que tinham feito por mim”, diz.
Mayara não tinha ideia do que estava por vir ao ficar internada por um mês após o surgimento de manchas roxas pelo corpo e repetidos exames. “Foram os piores dias”, conta.
As primeiras medicações, que desencadearam reações nada agradáveis, deram uma noção – assim como o medo dos pais. A notícia da queda dos cabelos – encaracolados e pelos ombros – foi o primeiro grande impacto. “Perdi toda minha configuração de menina. Fiquei muito magra, passei a usar sonda e ficar inchada. Eu cheguei a pensar que as coisas não dariam certo”, recorda.
Mayara Majevski durante o período de tratamento no Hospital Pequeno Príncipe Camila Hampf Mendes/Hospital Pequeno Príncipe
Foram cerca de dois anos de tratamento intenso – com quimioterapia – e outros tantos de acompanhamento. Aos 17 anos, já curada, ingressou no curso de enfermagem da Faculdades Pequeno Príncipe, em Curitiba.
Trabalhar com crianças da oncologia era uma certeza a essa altura. Formada há dois anos, tendo passado por outros hospitais, a volta ao local de tratamento provocou reações inesperadas.
O seo Januário e a dona Tereza ficaram assustados e preocupados com a decisão da filha única. “Foi difícil aceitarem que eu tinha amadurecido o suficiente para voltar para cá. Agora eles sentem orgulho”, conta.
Mayara Nascimento Majevski, de 24 anos, trabalha como enfermeira no hospital onde fez tratamento na adolescência desde dezembro de 2018
Giuliano Gomes/ PR Press
Os reencontros no hospital são também inevitáveis. A chefe de Mayara foi uma das enfermeiras que cuidou dela. A oncologista Flora Watanabe, ao ver a jovem enfermeira, garante que não há presente melhor.
Mayara dá expediente dois andares acima do mais frequentado na adolescência, no posto 42 – como neste 15 de fevereiro, Dia Internacional de Luta contra o Câncer na Infância. Além do conhecimento técnico, a enfermeira lança mão da receita própria que auxilia enfermos e familiares: 50% de fé e positividade, completadas com medicações e cuidados. A enfermeira Mayara Nascimento Majevski, de 24 anos, decidiu pela profissão ainda quando lutava contra a leucemia Giuliano Gomes/PR Press “A relação com os pacientes hoje é aquilo que mais completa. Quando sabem da minha história querem conhecer mais. Tento dar conforto e esperança de que o câncer não é uma sentença de morte”, afirma.
Depois da cura, a enfermeira passou a carregar no antebraço outras marcas de agulhas: a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foi após uma missa no hospital, perto do primeiro Natal do tratamento, que ela diz acreditar que tudo melhorou consideravelmente.
Às vésperas do Natal passado surgiu o novo emprego. “Tem coisa que tem que acontecer e na hora que tem que acontecer”, diz ela, com um sorriso que dá vontade de viver. Após a cura, a enfermeira que enfrentou a leucemia na adolescência cumpriu a promessa de tatuar Nossa Senhora Aparecida no antebraço
Giuliano Gomes/PR Press
Sinais de alerta para o câncer infantil:
Dores nos ossos, principalmente nas pernas, com ou sem inchaço;
palidez inexplicada;
fraqueza constante;
aumento progressivo dos gânglios linfáticos;
manchas roxas e caroços pelo corpo, não relacionados a traumas;
dores de cabeça, acompanhadas de vômitos;
perda de peso, com aumento ou inchaço na barriga;
febre ou suores constantes e prolongados;
distúrbios visuais e reflexos nos olhos.
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Fonte: G1

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