Valentine’s Day, ou Dia de São Valentim, celebra o Dia dos Namorados em vários países, e é considerado o dia mais romântico do ano. Lídio e Cristiane após vencer a doença
Arquivo pessoal
Como um nó. É assim que o metalúrgico Lídio Zandoná, de 47 anos, resume a relação dele com a esposa Cristiane Gazzola, de 36 anos.
“Todo dia é dia de amar, de se importar, de ser amigo, namorado, marido. Todos os obstáculos, momentos tristes, nós estamos juntos. Um é o suporte do outro. Somos nós, nós na dor, nós na luta. Um nó de amor, que não prende mas sim faz laço”, diz.
Poderia ser mais uma história de amor, assim como diversas outras. Entretanto, a história de Cristiane e Lídio faz celebrar o amor não só nesta quinta-feira (14) em que é comemorado o Valentine’s Day, mas em todos os dias. Cristiane morava em São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, quando descobriu em agosto de 1995 que portava leucemia, um câncer que ocorre na formação das células sanguíneas.
Para buscar tratamento da doença, Cristiane veio a Curitiba, no Paraná. Ficou oito meses hospedada na Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia (Apacn). Em maio do ano seguinte, a família de Lídio se mudou para Curitiba, a poucas quadras da casa de apoio. Cris durante o tratamento da leucemia Arquivo pessoal
Mesmo as famílias tendo um contato em São Miguel, os dois não se conheciam. Sabendo da proximidade, os pais deles conversaram e acertaram a ida dela e da mãe para morar com eles.
“Acabamos construindo um quartinho na casa deles. Ficamos dois anos morando lá. E foi nessa que começamos uma espécie de amizade colorida”, conta Cris.
Lídio conheceu a Cris careca, inchada por causa do medicamento corticoide. Para ele, a Cris era muito mais do que a aparência, muito mais do que os olhos conseguem ver.
“Sabe quando você vê luz?! Eu me apaixonei pela pessoa, pela cabeça dela, a maturidade, a força, o carinho. Nunca tratei ela como uma doente, ela era a Cris. Uma pessoa, a minha amiga”, diz Lídio.
Cristiane conta que por ele ser 11 anos mais velho, ela tentava arranjar uma namorada pra ele. “Apresentei duas amigas da minha mãe, e mais uma conhecida, mas não deu certo. Ele diz que sempre foi muito exigente nas escolhas. No fim, me escolheu!”, diz.
O casal em Curitiba
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Desde o início, os dois desenvolveram uma amizade muito forte, um companheirismo. Para Cris, Lídio era o refúgio, a fuga da realidade que, muitas vezes, era dura. Cris conseguiu a cura completa da leucemia.
“O Lídio entrou na minha vida no momento exato. A medicina fez a parte dela com certeza, mas sem esse estímulo de amor não dava. Ele tirava sarro do meu apetite que aumentou por conta da medicação, falava que não sobraria comida para ele. Além disso, reclamava de eu passar shampoo e condicionador na careca. Sempre fui vaidosa, mas para ele uma toalha molhadinha resolvia o meu caso”, relembra Cris.
E se Lídio era o refúgio dela, para ele Cris era a certeza.
“Ela nunca foi só uma amiga, ela é minha parceira, minha confidente, meu sorriso, eu quero estar bem pra ela estar bem. Só quem ama faz isso. E eu fazia isso mesmo sem perceber que já se tratava de amor. Destino, né?! Até hoje nunca existiu dúvida de quem eu tinha escolhido, sempre foi ela e sempre será”, conta ele.
Os dois só assumiram o relacionamento três anos depois do término do tratamento. Ela voltou para Santa Catarina e foram quatro anos de relacionamento à distância. “São coisas que não tem explicação, tinha tudo para não dar certo, para não dar em nada. Não era nem pra gente se conhecer nessa vida. Nos envolvemos demais, era pra ser. Enfrentamos 600 quilômetros durante anos”, conta ela.
Casal morando junto durante o tratamento da doença Arquivo pessoal
Eternos namorados O casal casou no mesmo dia em que completaram quatro anos de namoro. No dia 8 de janeiro de 2004, eles oficializaram aquele nó que sempre existiu, e ainda com um filho nos braços, o Lucas.
“Na época, em decorrência da agressividade do tratamento, existia a possibilidade de eu ter ficado estéril. E quando recebi a notícia de estar grávida, foi a consagração de um milagre. Viemos pra Curitiba para fazer exames, já que o bebê poderia vir com a doença ou até mesmo com deformações”, explica Cris.
Em 2018, o casal completa 15 anos de casados, e 21 anos da cura da leucemia. O Lucas faz 15 anos no sábado (16), e eles tem mais um fruto desse amor, a Isabele de oito anos.
“Eu aprendi com a Cris a perseverança, o confiar, a força de vontade, a superação. Eu aprendi com ela que não se pode desistir, tem que lutar até o fim. Junto com ela eu aprendi a acreditar que tudo é possível, é preciso acreditar em si, mas também nas pessoas que querem realmente o nosso bem, que agregam na nossa história. Ela é minha eterna namorada e eu sou o eterno namorado dela”. Dia do casamento foi no mesmo dia em que completaram 4 anos de namoro Arquivo pessoal
Voluntária Cristiane se formou em psicologia anos depois. Para ela, era para poder oferecer a quem busca ajuda, um tratamento humanizado. “Na época da doença, os médicos me viam mais como um diagnóstico, e eu como mais um caso. É preciso ver o ser humano que está ali, é preciso ver a pessoa que sente”, conta.
Curada e com a família de pé, Cris voltou a Apacn onde começou todo o tratamento para ser voluntária e transmitir uma mensagem de esperança as mães e aos pacientes que se encontram enfrentando o câncer.
“Eu me sentia na obrigação de retribuir o atendimento que recebi lá, a hospedagem, o carinho, o apoio. Fiquei cinco anos como voluntária e mais três como psicóloga. Acredito que ser um exemplo de vitória da doença conforta. É preciso ter fé, mas é também preciso de amor e amar”, conclui ela.
Família completa, Lídio, Cris, Lucas e Isabele
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Valentine’s Day
O 14 de fevereiro é conhecido no mundo todo como o dia mais romântico do ano. Chamado Valentine’s Day ou Dia de São Valentim, a data celebra o que é conhecido no Brasil como Dia dos Namorados.
Mas por aqui ele não é comemorado nesta quinta. Desde 1948, o país celebra essa data romântica em 12 de junho. Ela coincide com a véspera do Dia de Santo Antônio, conhecido como santo casamenteiro.
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Fonte: G1

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