Três árbitros, dois deles assistentes, analisarão os lances polêmicos

Três árbitros, dois deles assistentes, analisarão os lances polêmicos Daniel Teixeira/Agência Estado/21-02-19

O VAR (sistema de árbitro de vídeo) chegou ao Campeonato Brasileiro e às finais do Campeonato Paulista. A tecnologia será implantada em todos os jogos da competição nacional de 2019 e nos jogos decisivos de um dos principais Estaduais do país.

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“A utlização do VAR nos jogos do Campeonato Brasileiro seguirá exatamente os moldes da Fifa”, disse, em entrevista ao R7, o ex-árbitro Alício Pena Júnior, vice-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e responsável pelo setor do VAR na entidade.

Para tanto, praticamente uma nova modalidade de arbitragem está sendo desenvolvida.

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Uma arbitragem baseada nas imagens, na tecnologia, fazendo da cabine lá em cima das arquibancadas o que antes era inimaginável para o futebol: uma extensão do próprio campo.

O VAR já está incluído na legislação da Fifa e deixou de ser usado em caráter experimental. Agora, sua utilização é opcional, dependendo da capacidade financeira dos clubes e entidades envolvidas.

A IFAB (International Football Association Board), órgão que regulamenta as regras do futebol, já havia aprovado o uso do VAR na última Copa do Mundo. Em encontro da entidade em Aberdeen, na Escócia, no último dia 2, a entidade expressou “satisfação com o impacto significante e o sucesso que o VAR teve.”

Justamente por se tratar de um novo “campo” na área da arbitragem, para o uso do VAR, há todo um processo e uma estrutura até que o árbitro faça aquele gesto, desenhando com as mãos um quadrado no ar, que se tornou um símbolo dos novos tempos do futebol.

Canal de comunicação

Um total de oito monitores estarão instalados em uma sala reservada do estádio. Via rádio, os árbitros de vídeo terão um canal de comunicação com o árbitro de campo, que terá um microfone e um fone de ouvido acoplados no rosto.

A equipe que trabalhará com o VAR será composta por sete pessoas: três árbitros (um VAR e dois AVAR – assistentes do VAR), dois operadores de replay, um supervisor de protocolo e um gerente de qualidade.

À distância, eles irão interferir na arbitragem em erros claros, que envolvem somente situações de gol (assinalado ou não); pênalti (marcado ou não); necessidade de cartão vermelho direto ou alguma identificação equivocada do árbitro.

A equipe da cabine pode acionar o árbitro, assim como este, em caso de dúvida em tais lances capitais, pode solicitar o auxílio do VAR.

Segundo Pena Júnior, os árbitros da cabine atuarão após alguma decisão do árbitro de campo.

“Se houver algum erro de marcação nesses pontos específicos, a arbitragem do VAR irá automaticamente acionar o árbitro e sugerir que a marcação foi equivocada. Cabe a ele decidir. Ele já tomou sua primeira decisão, de marcar ou não marcar. Agora poderá ter outra oportunidade. A decisão é dele. É o árbitro quem decide. Recomendamos que nessas ocasiões ele faça uma revisão antes desta decisão final.”

A tecnologia será também implantada nas finais do Campeonato Paulista e já está sendo utilizada de maneira opcional nos jogos do Campeonato Carioca. Em nota ao R7, a FPF (Federação Paulista de Futebol ) também ressalta a importância do equipamento.

“O VAR é um instrumento muito útil, que veio para ficar. Entendemos que é uma segunda chance para o árbitro.”

Situação indamissível

Pena Júnior lembra que o VAR irá reduzir muito os erros, mas não irá eliminá-los. Casos como o jogo entre Real Madrid e Levante, no último domingo (24), em que o árbitro insistiu em afirmar que um jogador foi derrubado, mesmo com as imagens mostrando o contrário, ainda podem acontecer.

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“Nestes casos, a decisão, mesmo equivocada do árbitro, será mantida. É ele quem decide. Mas considero inadmissível um árbitro errar após ter consultado as imagens e elas apontarem uma situação clara.”

A FPF e a CBF se basearão no padrão da Fifa. A única diferença é que, na Copa do Mundo, as imagens eram provenientes das câmeras da Fifa. Agora, virão da transmissão oficial.

O padrão é o mesmo. A única variação é em função da quantidade de câmeras que captam a imagem dos jogos. O trabalho do VAR depende desta quantidade, mas a CBF trabalha com a certeza de que haverá uma quantidade mínima de câmeras suficiente. A federação paulista informa que haverá até 19 câmeras por jogo.

VAR para sempre

Pena Júnior ressalta que nas próximas edições do Brasileiro, o sistema deverá ser mantido.

“Depende de cada Conselho Técnico. Mas não vejo como voltar atrás, o VAR já é uma realidade do futebol.”

Após os clubes rejeitarem arcar com os custos do equipamento em 2018, um acordo possibilitou a utilização do VAR no Brasileiro em 2019.

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A CBF irá se responsabilizar pelo valores referentes à tecnologia e à infraestrutura e os 20 clubes desembolsarão cerca de R$ 350 mil cada um, para o pagamento da equipe de profissionais que atuará com o VAR.

A federação paulista informa que arcará com todos os custos, estimados em R$ 28 mil por partida, relativos ao equipamento.

A utilização do VAR não é novidade no Brasil. A tecnologia estava sendo analisada já há alguns anos e foi utilizada em competições em 2017, num total de 20 jogos: 13 na Copa do Brasil, três no Campeonato Carioca; dois no Campeonato Pernambucano; um no Campeonato Catarinense e um no Campeonato Gaúcho.

Arte/R7

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Fonte: R7

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