Kanni fez charge sobre o futebol brasileiro de hoje, a pedido do R7

Kanni fez charge sobre o futebol brasileiro de hoje, a pedido do R7 Takuiuki Kanni

Um chargista costuma ser um representante do seu tempo. Os desenhos e as histórias são uma maneira de expor a alma de uma sociedade, com suas contradições, seus conflitos e os seus desejos ocultos.

Charge de Kanni nos anos 60, para o jornal Última Hora

Charge de Kanni nos anos 60, para o jornal Última Hora Acervo Takuiuki Kanni

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Kanni fazia uma sátira em relação à época

Kanni fazia uma sátira em relação à época Acervo Takuiuki Kanni

Em 1964, movido pelo espírito da época, o estudante de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Takuiuki Kanni, se tornou um conhecido desenhista por ter criado o primeiro personagem de Pelé em uma charge. Era o Pelezinho dos anos 60, voltado à política.

A pedido do R7, Kanni, aos 80 anos, ainda clinicando em Itapeva (SP), desenhou uma charge relativa ao atual contexto do futebol brasileiro, bem diferente dos tempos de Pelé, quando o Brasil era conhecido como o “País do Futebol.”

Kanni tem hoje 80 anos

Kanni tem hoje 80 anos Reprodução/Facebook

Desta vez, em seu desenho, o protagonista é Neymar, um outro camisa 10 da seleção, mas em um tempo bem diferente, no qual as cifras se multiplicaram, a tecnologia é uma realidade e o esporte se tornou um negócio, tanto para dirigentes quanto para jogadores.

“Quis mostrar como no futebol de hoje os jogadores perderam a espontaneidade, envolvidos em regras que acabam cerceando. Há salários astronômicos, patrocínios milionários, juiz de linha, de gol, câmera lenta para tudo, VAR. E a criatividade do jogador vai ficando de lado. O VAR, para mim, vai tirar a espontaneidade do futebol.”

Desenhos na Faculdade

Algumas coisas ficaram, mas muitas outras mudaram no Brasil e no mundo desde 1964. Pouco antes de a censura se instaurar no País naquele ano, com o golpe militar, Kanni, durante seu curso na USP, descobriu o talento para desenhar e se tornou uma espécie de voz daquela geração.

Aos 26 anos, ele desenhava no mural do Centro Acadêmico da Faculdade.

“É o melhor painel para se desenhar, não tinha censura nenhuma.”

Suas sacadas fizeram tanto sucesso, que um amigo o colocou em contato com Jorge da Cunha Lima, diretor em São Paulo do Última Hora, jornal de maior impacto da época.

Kanni conta que Lima desejava publicar uma tira que satirizava o ambiente político da época.

Kanni, então, se inspirou em Pelé, celebridade do momento, bicampeão mundial que representava o desejo de ascensão do trabalhador negro, pobre e injustiçado.

O estudante se tornou o primeiro a fazer uma charge de Pelé. Ele colocou Pelé como protagonista da tira, publicada quase todos os dias.

Personagens da época

Nas histórias, Pelé era o funcionário de uma empresa. Como uma maneira de mostrar a importância de o negro se integrar à sociedade, ele diz que propositalmente, criou um negro com topete.

Kanni conta que, em conversa com o colunista do jornal, Ricardo Amaral, o então jogador autorizou verbalmente a publicação.

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Havia um religioso, o dono da empresa, um playboy e uma mulher, que simbolizava as ideias da faculdade de Filosofia da Rua Maria Antônia.

Mas a tira, intitulada “As Aventuras de Pelezinho”, durou apenas alguns meses, de 28 de janeiro de 1964 a 27 de abril daquele ano. O novo governo passou a censurar a publicação.

E Kanni, então, voltou a se dedicar exclusivamente à Medicina.

“Formei-me justamente em 1964 e já não tinha mais tempo para outras atividades durante a residência no Hospital das Clínicas. Depois, fui trabalhar no interior paulista. E, no interior, a gente começou a ter de evitar fontes de atrito. Charge ou qualquer coisa, nem pensar naquele tempo.”

Cerca de 20 anos depois, no entanto, ele voltou a desenhar, fazendo uma charge semanal para um jornal de Itapeva, o Folha do Sul.

Àquela altura, outro Pelezinho, criado por Maurício de Souza a partir de 1976, era conhecido.

Kanni diz que, na faculdade, nem tinha tempo para pensar em reivindicar direitos autorais. “Isso não era uma preocupação minha.”

A temática do novo personagem era mais voltada às crianças, que ainda podiam se espelhar nas velhas brincadeiras de rua.

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Fonte: R7

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