Pesquisa revela que a mulher é culpada pelos casos de estupro.

“Ô lá em casa”, difícil encontrar uma mulher que nunca ouviu isso. Alguns homens acham que é elogio, algumas mulheres até gostam, porém, a maioria reprova e se sente constrangida, diante desses berros que invadem a rua.

A violência contra a mulher é criticada a cada dia que passa e a garantia de que seus direitos não serão inferiores ao dos homens é defendida a cada dia. O discurso político é um, mas o pensamento coletivo é bem diferente.

Na quinta feira (27), o Ipea (Instituo de pesquisa econômica aplicada), lançou através do sistema de indicadores de percepção social, uma pesquisa que aponta percepções sobre a violência contra a mulher. Os dados surpreenderam a todos e em pouco tempo se tiveram uma repercução estrondosa , devido a maioria dos entrevistados citar as mulheres como culpadas pelo estupro.

A equipe do jornal Gazeta do Paraná, saiu as ruas de cascavel para obter a opinião das mulheres, em questões ligadas à homossexualidade. Os jornalistas repetiram as dez perguntas feitas pelo Ipea. Quatro pessoas de perfis bastante variados responderam as questões: Bruno Cunha, um rapaz de 16 anos; João Maria de Oliveira, de 76 anos; Kethleen Chiang, uma menina de 18 anos e Elisangela Lambrecht com cerca de 30 anos.

João maria foi o que apresentou declarações mais surpreendentes, mas também foi o que mais se entregou à pesquisa. João descorda e diz que não concorda, que todo os homens que batem em suas mulheres devem ser presos, afinal de contas, “às vezes elas merecem”. Segundo ele, dependendo do que a mulher aprontar.

“O homem não tem que bater, tem que matar”.

Para ele uma traição justificaria esse tipo de violência. Mas também não admite que sua namorada use roupa curta. Falando em roupa curta, ele considera que se as mulheres se comportassem mais, e não mostrassem tanto o corpo, o número de estupros cairia muito, afinal de contas,

“Existem mulheres que provocam muito os homens”, que podem não conseguir se controlar.

João Maria acha que não pode forçar a mulher a ter relações sexuais, mas que, quando ela não quer, deveria liberar o homem para ter relações com outras pessoas.

“Tem homem que sofre porque fica sem fazer sexo. Acumula tudo nos rins e então começa a doer as costas, fica cheio de dor”.

João Maria é contra o casamento gay, para ele, este é inclusive o motivo para muitas das mortes que acontecem no mundo.

“Na minha época não existia esse tipo de coisa, agora é que mudou. Para mim isso é comunismo. Mas isso anda com o capeta, por isso que tanta morte acontece”.

O surpreendente é que, quando chega na hora de dividir as contas da casa, ele considera que tanto a mulher quanto o homem tem o papel de provedores do lar. Bruno, que tem 16 anos, discorda de João Maria.

“Embora nos dias de hoje muitas mulheres sejam a cabeça da casa, acho que esse é o papel do homem. Ele tem mais firmeza”, justificou.

Entretanto, quando o assunto é violência, Bruno acha que nada pode passar da discussão.

“O homem pode xingar o homem, mas o homem também pode xingar a mulher. É normal ter brigas, mas o homem não pode bater na mulher, é covardia”.

Agora, quando o assunto é roupa curta, Bruno até considera que as mulheres devem se vestir como se sentem melhor, mas concorda que as roupas curtas aumentam os casos de estupro. Na verdade esta é uma prerrogativa na qual todos nossos entrevistados acreditam, inclusive Kethleen. Assim como Bruno, ela acredita que as pessoas têm o direito de se vestir como querem, mas acha que algumas mulheres exageram, e que por isso aumentam as chances de serem vítimas de estupro.

“Tem que existir um limite”, disse.

Com relação aos outros pontos da pesquisa, a regra de Kethleen é uma só: as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, seja na hora de pagar uma conta, seja na hora de dar uma ordem dentro de casa. Quanto ao casamento gay, ela considera que as pessoas precisam ter o direito de serem felizes, seja com quem for. Entretanto, Kethleen confessou que se sente incomodada ao ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Já Elisangela não: “eu não me incomodo”, diz.

Elisangela também acredita que nem todas as mulheres querem casar:

“algumas querem é estudar, trabalhar”.

Mesmo assim,  para ela, as mulheres terem exatamente os mesmos direitos dos homens, elas não deveriam andar de roupas curtas. De acordo com Elisangela as roupas curtas podem facilitar casos de estupro e justificam que estas mulheres sejam atacadas.

“Se elas querem chamar a atenção, ‘né’”, disse.

Contraponto

Se tem muita gente que concorda que a mulher pode diminuir os índices de estupros no país se aumentarem o tamanho de suas saias, tem outro grupo que crê que uma roupa curta não justifica um estupro. Depois que a pesquisa do IPEA foi lançada, mulheres deram início a um protesto virtual intitulado,

Eu não mereço ser estuprada”.

Do seu lançamento até então, diversas mulheres estão postando, na rede social Facebook, fotos seminuas, com os dizeres “Eu não mereço ser estuprada” escritos no corpo ou em cartazes.

Não entendi essa ideia, como elas não querem ser estupradas se ficam postando fotos nuas? O evento está parecendo mais um evento da playboy do que um protesto contra os estupradores.

A pesquisa

Realizada entre maio e junho de 2013, uma nova rodada da pesquisa SIPS/Ipea (Sistema de Indicadores de Percepção Social) revelou que 91% dos brasileiros defendem, totalmente ou parcialmente, a prisão para homens que batem em suas companheiras. A tendência em concordar com punição severa para a violência doméstica ultrapassa as fronteiras sociais, com pouca variação segundo região, sexo, raça, idade, religião, renda, ou educação: “78% dos 3.810 entrevistados concordaram totalmente com a prisão para maridos que batem em suas esposas”, afirma o documento.

No entanto, esses dados não permitem pressupor um alto grau de intolerância da sociedade brasileira à violência contra a mulher. Quase três quintos dos entrevistados, 58%, responderam que “se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros”. Quando a questão é se “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”, 63% concordaram, total ou parcialmente. Da mesma forma, 89% dos entrevistados concordaram que “a roupa suja deve ser lavada em casa”; e 82% que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.

De acordo com os autores do estudo, as percepções manifestadas indicam que a população ainda

“adere majoritariamente a uma visão de família nuclear patriarcal, ainda que sob uma versão moderna”. Assim, “embora o homem seja ainda percebido como o chefe da família, seus direitos sobre a mulher não são irrestritos, e excluem as formas mais abertas e extremas de violência”.

Rafael Osorio, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, explicou que outras formas de violência estão sendo percebidas pela população.

“Existe atualmente uma rejeição da violência física e simbólica – xingamentos, tortura psicológica –, no entanto, 42% das pessoas acreditam que a mulher é culpada pela violência sexual”, afirmou.

Outro fator que chama a atenção são os casos de estupro dentro do casamento.

“27% das pessoas concordam que a mulher deve ceder aos desejos do marido mesmo sem estar com desejo, e esse é um dado perigoso.”

E você ? Concorda ou discorda dessa pesquisa? Conte-nos sua opinião, deixe seu comentário.

Fonte: CGN

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